Modalidades

Esporte

O esporte é sem dúvida uma atividade de extrema importante para a integração, reabilitação e aumento da auto estima das pessoas com deficiência. Qualquer pessoa com algum tipo de deficiência pode praticar uma modalidade desportiva na vertente amadora ou de alta competição, desde que as regras estejam adequadas à sua deficiência. A Federação Paulista de Desporto para Cegos (FPDC) è responsável pelo desenvolvimento do quadro competitivo estadual nas modalidades Atletismo, Futebol, Goalball, Judô, Natação e Xadrez em ambos os gêneros.

 

Natação

“A natação é um dos esportes mais antigos praticados pelo homem. Durante toda a história, sua prática esteve relacionada a diversos objetivos. A natação para pessoas com deficiência foi desenvolvida, inicialmente, com objetivos terapêuticos e de reabilitação. Atualmente é uma das modalidades mais populares também dentro do alto rendimento esportivo.

Apesar da natação estar presente desde os primeiros Jogos Paralímpicos de Roma em 1960, a primeira aparição das pessoas com deficiência visual na competição foi em Heldelberg no ano de 1972, apenas como demonstração. Apenas em 1980, na cidade de Arnhem, na Holanda, atletas cegos e com baixa visão puderam competir dentro do programa dos Jogos Paralímpicos.

Para as competições de natação, os atletas com deficiência visual são categorizados nas classes S11, S12 e S13, sendo a letra “S” derivada do termo “swimming”. A nomenclatura das classes sofre diferenciação entre os estilos de nado. Dessa forma, a letra S significa que o nadador competirá nas provas de nados livre, costas ou borboleta. O nado peito utiliza a sigla SB, de breaststroke (nado peito), e o medley utiliza o termo SM (medley).

As provas individuais disputadas por pessoas com deficiência visual no programa paralímpico são: nado livre (50 metros, 100 metros e 400 metros), costas (100 metros), peito (100 metros), borboleta (100 metros) e medley (200 metros). Também são disputadas as provas de revezamento nos estilos livre e medley
(4 x 100 metros). Os atletas disputam as provas em diferentes categorias por sexo e classificação oftalmológica.

Poucas adaptações são necessárias nas regras gerais da natação convencional para permitir a participação das pessoas com deficiência visual. Sendo assim, são seguidas as regras da Federação Internacional de Natação Amadora (FINA), com algumas adaptações. Por exemplo, para nadadores da classe S11 é exigida a utilização de óculos opacos durante as provas, afim de eliminar qualquer resíduo visual que possa dar vantagens a alguns nadadores em relação a outros.

Outra característica importante é a presença do tapper para a classe S11 e opcionalmente para a classe S12. O tapper tem a função de avisar o atleta quando este se aproxima da borda (para a virada ou chegada), através do toque com o auxílio de um bastão com ponta de espuma mais firme.

A primeira participação do Brasil nos Jogos Paralímpicosfoi em Atlanta, em 1996. Em Sidney, 2000, Fabiana HarumiSugimori se consagrou campeã paralímpica ao vencer a prova dos 50 metros nado livre, classe S11. O feito foi repetido em 2004, nos Jogos Paralímpicos de Atenas.”

Futebol de Cinco

  • O Futebol de Cinco (Five a side), nome correto do futebol de cegos, é uma adaptação do futsal convencional.
    As regras utilizadas no Futebol de Cinco, são as mesmas regras oficiais do futsal com algumas adaptações:
  • As medidas da quadra são as mesmas do futsal, de 38x18m até 42x22m.
  • As laterais da quadra são cercadas por proteções acolchoadas (bandas laterais), que impedem que a bola saia da quadra, tornando o jogo mais dinâmicoe ajudam a proteger os jogadores de lesões.
  • As cobranças de lateral só podem ser realizadas com os pés e ocorrem apenas quando a bola ultrapassa as bandas laterais.
  • A bola do futebol de cinco é igual a de futsal, porém, possui guizos internos, para que os jogadores possam localizá-la pelo som emitido.
  • Os times são compostos por quatro jogadores de linha e o goleiro.
  • Todos os jogadores de linha devem utilizar vendas durante os jogos. Alguns atletas cegos conseguem ter uma leve percepção da luz e isso seria uma vantagem durante a partida. Assim, a venda garante a igualdade de condições para o jogo.
  • Todos os goleiros dos times do Futebol de cegos deverão ser videntes (pessoas com condições visuais normais).
  • O goleiro limita sua atuação, na defesa das bolas, a uma área reduzida, de 5X2m. Se o goleiro sair desta área é considerado pênalti.
  • Cada time de futebol de cinco, conta ainda com um “chamador”. Trata-se uma pessoa vidente, que fica atrás do gol adversário, orientando os atacantes de seu time.
  • As partidas oficiais, desta modalidade, têm dois tempos de 25 minutos, com 10 minutos de intervalo entre elas. Em cada tempo são permitidas três faltas coletivas. A partir da quarta, todas são punidas com cobranças de tiro direto para o time adversário.
  • As cobranças de pênalti são realizadas na linha de 6m e as cobranças de tiro direto são feitas na linha de 8m.
  • As cobranças de pênalti e tiro direto possuem um ritual específico:o chamador bate uma pequena barra de ferro nas três traves (direita, esquerda e acima), para dar ao atleta a dimensão do gol.

As partidas são disputadas preferencialmente a céu aberto ou em quadras com aberturas nas laterais, para evitar ecos que possam atrapalhar os jogadores.
As competições internacionais oficiais de futebol de cinco, usam a bola de fabricação brasileira.
No Brasil, o esporte começou a ser praticado na década de 60, em escolas e institutos para cegos, porém, somente a partir de 1984 as competições tornaram-se oficiais, sendo organizadas pela extinta Associação Brasileira de Desportos para Cegos – ABDC.
Hoje o esporte já é praticado em 21 países e a primeira vez que a modalidade foi disputada numa Paralimpíadafoi em Atenas, no ano de 2004, quando o Brasil ganhou a medalha de ouro. Aliás, nosso país é uma superpotência na modalidade. A Seleção Brasileira de Futebol de Cegos é tricampeã da Copa América (97, 2001 e 2003), Bicampeã mundial (98 e 2000); é a única seleção Campeã Paralímpica tendo alcançado esse feito por quatro vezes: Atenas 2004, Pequin 2008, Londres 2012 e Rio de Janeiro 2016.
Já tivemos três jogadores eleitos melhores do mundo: Mizael Conrado (98 e 2000), João Batista da Silva (2004) e o atual melhor do mundo: Ricardo Alves, o Ricardinho, eleito em 2006.

Atletismo

O Atletismo é hoje o esporte mais praticado nos mais de 70 países filiados à Federação Internacional de Desportos para egos – IBSA, e no IPC, que é o Comitê Paralímpico Internacional. Além dos Jogos Paralímpicos, fazem parte de seu calendário, maratonas, Jogos Parapan-americanos e Campeonatos Mundiais. O que contribui para a difusão da modalidade é o fácil acesso e a naturalidade dos movimentos, já que correr, saltar, lançar e arremessar são habilidades básicas do ser humano.

O Atletismo para Deficientes Visuais é constituído basicamente por todas as provas que compõem as regras oficiais da Federação Internacional de Atletismo – I.A.A.F., com exceção das provas de salto com vara, lançamento do martelo, corridas com barreira e obstáculos.
As provas são divididas por grau de deficiência, na classificação visual temos as classes (T11, T12 e T13 para as provas de pista, e F11, F12 e F13 para as provas de campo), entendendo que as classes T11 e F11 são atletas cegos, e as classes T/F12 e T/F13 são atletas com baixa visão.
As regras são adaptadas para os atletas das classes T11, F11 e T12, F12. Para estes, é permitido o uso de sinais sonoros e de um guia para auxiliar e orientar nas provas de corrida, saltos, arremesso e lançamentos. O atleta guia em momento algum poderá puxar empurrar ou favorecer de alguma forma a corrida do atleta, devendo permanecer na mesma linha ou um pouco a atrás durante a corrida.
As provas para os competidores T13, F13 seguem as mesmas regras do atletismo convencional.
Os excelentes resultados em eventos realizados fora do país e em competições nacionais credenciam o atletismo como o esporte de maior ascensão no cenário paralímpico brasileiro.
A velocista brasileira Anelise Hermany – T12, foi a primeira medalhista Paraolímpica entre os deficientes visuais. Ádria Santos é a maior medalhista cega da história paraolímpica brasileira com 12 medalhas. Atualmente o Brasil possui atletas com deficiência visual com grande expressão tanto nas provas de pista quanto nas de campo.

 

Goalball

Pensando em oportunidades de prática esportiva, o alemão HanzLorenzer e o austríaco Sepp Reindle, desenvolveram o Goalball em 1946 com o intuito de utilizar a prática esportiva como um importante meio reabilitador dos veteranos de guerra. Diferente da maioria dos esportes paraolímpicos, o Goalball não foi adaptado de nenhum outro esporte já existente. Foi criado especificamente para as pessoas com deficiência visual (ALMEIDA et al, 2008; AMORIM et al, 2010; IBSA,2010; MORATO, 2012;NASCIMENTO, MORATO, 2006).

Sua primeira exibição internacional foi nos Jogos Paralímpicos de 1972 realizados em Heidelberg na Alemanha como modalidade demonstrativa. Nos Jogos Paralímpicos de 1976 realizados em Toronto, no Canadá, foi incorporada ao programa esportivo apenas para o gênero masculino. Somente nos Jogos Paralímpicos de 1984 realizados em Nova Iorque, nos Estados Unidos, houve a incorporação do gênero feminino (ALMEIDA et al, 2008; AMORIM et al, 2010; IBSA, 2010; MORATO, 2012;NASCIMENTO, MORATO, 2006).

No Brasil existem duas histórias sobre a introdução do Goalball. A primeira aponta Steven Dubner trazendo a primeira bola da modalidade em 1985 para o Clube de Apoio ao Deficiente Visual (CADEVI) onde era professor. A segunda aponta o surgimento da modalidade influenciado pelo professor Mário Sérgio Fontes, após ter acompanhado o Campeonato Mundial de Goalball disputado em Roermond na Holanda em 1986. Ele trouxe as bolas e as regras oficiais para o país. As duas foram importantes para a modalidade e, no ano de 1987, foi realizado o I Campeonato Brasileiro de Goalball (ALMEIDA et al, 2008; MORATO, 2012; NASCIMENTO, MORATO, 2006).

O jogo de Goalball é realizado em uma quadra com formato retangular com dimensões de dezoito (18) metros de comprimento por nove (9) metros de largura, similar às dimensões da quadra de vôlei. As traves medem nove (9) metros de largura e um metro e trintacentímetros (1,30) de altura, posicionadas nas linhas de fundo dos dois lados (ALMEIDA et al, 2008; IBSA, 2010; MORATO, 2012; TOSIM et al, 2008).

A bola de borracha pesa 1.250 quilogramas e contém guizos em seu interior para orientar os atletas através da estimulação auditiva. A quadra toda possui linhas táteis, ou seja, barbante abaixo da fita adesiva que traça os limites da quadra, deixando as fitas em alto relevo e facilitando o posicionamento dos atletas através da percepção tátil. O jogo é disputado por três atletas em cada equipe e no máximo três atletas reservas, todos os jogadores são responsáveis pela defesa e pelo ataque de suas respectivas equipes. A partida tem dois (2) tempos de doze (12) minutos cronometrados, com direito há quatro (4) tempos técnicos de quarenta e cinco (45) segundos por equipe. Objetivo do jogo é marcar o número de gols que a equipe adversária através de trocas de arremessos/lançamentos rasteiros ou quicados (CALDEIRA, 2006; IBSA, 2010; MORATO, 2012; NASCIMENTO, MORATO, 2006).

Atualmente o Goalball brasileiro está em primeiro lugar no ranking mundial divulgado pela IBSA tanto no masculino quanto no feminino (http://www.ibsasport.org/).

 

Judô

O judô é a única arte marcial dos Jogos Paralímpicos. Essa modalidade se tornou paraolímpica em Seul, 1988. A estréia das mulheres foi feita em 2004, nos Jogos de Atenas.
A modalidade chegou ao Brasil no início da década de 80. A primeira participação internacional foi em 1987, no torneio de Paris. No ano seguinte, em Seul, o país conseguiu 3 medalhas de bronze, iniciando uma grande trajetória de conquistas nesta modalidade. A modalidade, através de seus ensinamentos orientais, é muito importante para o cotidiano dos deficientes. Outra coisa importante é o aperfeiçoamento do equilíbrio, igualmente importante para os deslocamentos do dia-a-dia destes indivíduos. O judô é praticado por atletas cegos e com deficiência visual que, divididos em categorias por peso, lutam segundo as mesmas regras da Federação Internacional de Judô. Poucos aspectos diferem do judô convencional. São eles: os atletas iniciam a luta com a pegada feita (um segurando no quimono do outro), a luta é interrompida quando os oponentes perdem o contato e não há punições para quem sai da área de combate. Judocas das três categorias oftalmológicas, B1 (cego), B2 (percepção de vulto) e B3 (definição de imagem) lutam entre si. O atleta B1 é identificado com um círculo vermelho em cada ombro do quimono. O sistema de pontuação é igual ao olímpico e sua prática pode ser feita entre atletas cegos e não-cegos.

 

Xadrez

Considerado o “Esporte dos Reis”, o xadrez tem sua origem incerta. Existem evidências de que os egípcios jogavam algo parecido há 3 mil anos. Hoje em dia o estilo oficial é o modelo Inglês. A organização mundial da modalidade fica a critério da Internacional Braille ChessAssociation – IBCA, entidade fundada em 1958, que segue as regras da Federação Internacional de Xadrez – FIDE.
O xadrez teve de sofrer algumas adaptações para a prática dos deficientes visuais. Passou a ser jogado com o toque das mãos, o que permite o enxadrista “visualizar” a partida e montar sua estratégia. As casas pretas são ligeiramente elevadas para facilitar na orientação, assim como as peças pretas que possuem uma ponta de metal. As categorias B1, B2 e B3 disputam entre si e devem “cantar” suas jogadas e podem tocar livremente as peças, que são encaixadas, sem a obrigação de mexer, desde que não a retire do lugar. No Brasil A CBDC é responsável pela organização do calendário de competições da modalidade. Campeonatos como Jogos Brasileiros, Jogos Escolares e Copa Brasil crescem a cada edição. O enxadrista Roberto Carlos Hengles conquistou a medalha de bronze no III Pan-americano da IBCA – São Paulo 2005, esta que foi a primeira medalha brasileira em competições internacionais de xadrez.